Pode a inteligência humana explicar o fenômeno da vida? Pode-se explicar a inteligência humana partindo do fenômeno da vida?
05/10/2011
por Prof. Picotte / Filosofia
A milenar tentativa de compreender a natureza dos fenômenos vitais por meio das capacidades da inteligência está destinada ao fracasso. A vida, com efeito, seja a do individuo, seja a da humanidade inteira, é por definição livre, não previsível e não inservível em algum desígnio preordenado. Ela procede sobre um duplo trilho: de um lado está a pura criação do novo, do outro a conservação integral do passado.
A evolução biológica não persegue qualquer fim nem se desenvolve segundo critérios econômicos e racionais; ou, antes, é dominada pelo desperdício, pela dispersão de energia vital em todas as direções, mesmo aquelas destinadas a um seguro insucesso e destinadas a sucumbir à dura lei da seleção natural darwiniana.
A vida é um impulso construtivo que, a cada momento, explora todas as variações possíveis, sem seguir um projeto preciso; é uma onda que arrasta e ultrapassa qualquer obstáculo, sem nunca, todavia, abandoná-lo definitivamente. O primeiro obstáculo foi a capacidade de movimento, e do mundo vegetal, depois de milhões de fracassos evolutivos, acabou por desenvolver-se aquele animal. Nem mesmo isso, porém, se desenvolveu numa única direção: algumas espécies seguiram a via do instinto, outras a via da inteligência. Entre esta, obviamente, está a espécie humana, mas não somente, porque instinto e inteligência são diferentes, mas não opostos: o instinto animal está cercado por um elo de inteligência e a inteligência humana não funcionaria se não se baseasse também na contribuição do instinto.
Todos os seres vivos estão unidos entre si, e todos obedecem ao mesmo formidável impulso. O animal tem seu ponto de apoio na planta, o homem na animalidade, e a humanidade inteira, no espaço e no tempo, são como um imenso exército que galopa ao lado de cada um de nós, a nossa frente e as nossas costas, numa carga irresistível capaz de derrubar todas as resistências e de ultrapassar muitos obstáculos, talvez, mesmo a morte.
Conclusão: a inteligência não consegue explicar a vida, mas a vida explica a inteligência.
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