Responsabilidade Socioambiental
31/08/2010
por Rita Pattaro - Coordenadora pedagógica Colégio Meta
Estar em harmonia com o meio ambiente é, efetivamente, uma obrigação do ser humano. Mais que isso, uma necessidade, inclusive social e de sobrevivência neste planeta, que, sem que se peça nada, já oferece tanto.
A responsabilidade socioambiental que vem ‘carimbada’ em todo ser vivo quando nasce, é o passaporte para a manutenção de uma vida saudável, íntegra, tranquila e sensata. Viver sem percalços como enchentes, desmatamentos, queimadas e poluições de toda espécie deveria ser a rotina e não exceção.
Contrariamente a essa lógica, o ser humano não defende instintivamente seu planeta. Por diversas razões, o homem se vê superior, de alguma maneira, à existência do meio ambiente. Fatores como o progresso e o êxodo rural são determinantes para a gravidade desse cenário.
Como transformar esse cenário? Como resgatar a consciência humana para essa necessidade? Certamente, inúmeras campanhas de conscientização ocorrem mundo a fora o tempo todo. Informações são divulgadas o tempo todo e de maneira bem ampla, utilizando diversos meios de comunicação, buscando atingir os mais variados públicos.
Entretanto, há a necessidade de uma ação mais efetiva, que tenha raízes na formação humana e esteja intrínseca, tanto quanto a necessidade de respirar de cada um. O primeiro contato que a criança tem é com o grupo social família, que lhe ensinará as primeiras e primordiais regras do convívio social, porém, poucas delas referem-se a cuidados com o meio ambiente. Normalmente, os pequenos ganham presentes tradicionais, como bolas, carrinhos, bonecas, bicicletas, games, entre outros. Qual família os presenteia com apetrechos para a criação de uma mini-horta? Ou com uma muda de alguma espécie de árvore ameaçada de extinção? Ou com um passeio à praça do bairro onde mora para ensiná-los a limpar, cuidar e manter tudo em ordem por lá? São presentes que não tem valor dentro da sociedade contemporânea, que tem como característica maior o imediatismo, o individualismo e a turbulência.
O segundo grupo social que recebe a criança é a escola, que tem como função principal, transmitir conhecimento de maneira contextualizada a fim de desenvolver competências e habilidades que servirão de pano de fundo para toda a trajetória de vida que terá. Claro que nesse espaço microsocial, serão proporcionadas situações que produzam e estimulem essa consciência de que o meio ambiente é parte obrigatória da vida dela.
A grande vantagem do contexto escolar é a parceria que pode ser feita com a família, criando uma relação de cumplicidade, valorização das atitudes e segurança ao longo de todo o desenvolvimento de cada aluno.
Nesse cenário, família e profissionais da Educação realizam ações integradas desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, visando um único objetivo: a formação humana do alunado. Para tanto, cada instituição de ensino, seja pública ou particular, desenvolve, juntamente com seu currículo, projetos diferenciados com enfoque em áreas diversas que comporão a vida global do indivíduo durante toda a sua existência. Ao longo do ano é possível ver acontecendo ações como: desenvolvimento de hortas, plantio de árvores, pesquisas sobre o lixo, como coletá-lo seletivamente e reciclá-lo, estudos sobre a qualidade da água de algum rio ou mesmo das torneiras do colégio, manutenção da limpeza do ambiente escolar e muito mais.
Contudo, nesse contexto, tudo deve ter um cunho educativo que promova o conhecimento e a integração, portanto, nada pode ser feito de maneira estanque, mas sim, com referenciais teóricos que embasem e norteiem o trabalho prático e que possa ser claramente avaliado por meio da observação da mudança de comportamento e atitude dos alunos, desde os menores até os adolescentes.
Gerir um colégio, cuja proposta pedagógica seja pautada na construção do conhecimento e desenvolvimento de competências e habilidades, requer, assim como qualquer outra atividade, dedicação, entusiasmo e um olhar voltado para a delicada relação ensino e aprendizagem. O gestor, atualizado e cerceado teoricamente, visualiza a formação humana já na fase adulta e traça o caminho que acredita ser o ideal para alcançar essa meta, instrumentalizando seu corpo docente para auxiliar na condução dos discentes nesse caminho.
Assim vai se construindo o aprendizado sobre o que é verdadeiramente responsabilidade socioambiental, que vai se delineando e tomando forma na consciência humana. A prática e a constância levam o homem a um aprendizado efetivo e quase imutável, porque torna-se um hábito. O contrário também é verdadeiro: quando se aprende que jogar papel no chão é o normal, dificilmente se corrige tal ação.
O compromisso permanente em adotar e promover um comportamento ético que contribua para a qualidade da própria vida e da sociedade como um todo é de responsabilidade de todos.